
Perguntas.
Tantas perguntas.
Tantas perguntas.
A procura dos porquês pode tornar-se extenuante. Pior, pode acabar como começou, sem respostas satisfatórias e com uma acrescida dose de perguntas que surgem naturalmente a cada desculpa que se inventa. Uma dose peganhenta, quais batatas fritas em pacote de cartão cobertas de maionese.
O PORQUÊ em letras garrafais que a princesa me lançou naquele dia, ao mesmo tempo tão perto e tão longe, ao ver-me de lágrimas nos olhos e desalentada, foi uma pergunta desesperada, na procura de uma resposta que a sossegasse, como a sossegam todas as respostas que a mãe lhe tem dado ao longo da sua ainda breve mas cheia vida. Desta vez, desta fatídica vez, a mãe não tinha a resposta. E em todos os dias depois desse, a chegada a casa é pontuada por mais perguntas. O “Mummy estive hoje a pensar e” .. remata quase sempre numa das tais desculpas, esfarrapadas e piedosas, com as quais tentamos acalmar a ânsia de saber quando não há ninguém que nos responda. Pior, quando quem pode responder, ou será deve?, simplesmente se fecha num mutismo incompreensível, intolerável. Cruel.
Aprendeu uma lição a minha princesa.
Uma lição que sei terá consequências no seu futuro, na sua evolução como menina, na sua ascensão a mulher: O sentimento de “confiança” muito dificilmente passa por quem nos diz “confia”. E o que hoje é certo, feliz e partilhado, porque alguém nisso nos faz acreditar, pode, de repente, deixar de ser.
O PORQUÊ em letras garrafais que a princesa me lançou naquele dia, ao mesmo tempo tão perto e tão longe, ao ver-me de lágrimas nos olhos e desalentada, foi uma pergunta desesperada, na procura de uma resposta que a sossegasse, como a sossegam todas as respostas que a mãe lhe tem dado ao longo da sua ainda breve mas cheia vida. Desta vez, desta fatídica vez, a mãe não tinha a resposta. E em todos os dias depois desse, a chegada a casa é pontuada por mais perguntas. O “Mummy estive hoje a pensar e” .. remata quase sempre numa das tais desculpas, esfarrapadas e piedosas, com as quais tentamos acalmar a ânsia de saber quando não há ninguém que nos responda. Pior, quando quem pode responder, ou será deve?, simplesmente se fecha num mutismo incompreensível, intolerável. Cruel.
Aprendeu uma lição a minha princesa.
Uma lição que sei terá consequências no seu futuro, na sua evolução como menina, na sua ascensão a mulher: O sentimento de “confiança” muito dificilmente passa por quem nos diz “confia”. E o que hoje é certo, feliz e partilhado, porque alguém nisso nos faz acreditar, pode, de repente, deixar de ser.
Assim. Sem mais explicações. Sem um adeus. Sem uma desculpa. Mesmo das esfarrapadas.
Uma lição desnecessária, na sua vida até aqui cheia de inabaláveis certezas, daquelas próprias de quem tem dez anos de idade e que ninguém deveria ser capaz de destruir. Que a mãe achou ninguém destruiria.
Aprendeu uma lição a mãe.
Uma lição desnecessária, na sua vida até aqui cheia de inabaláveis certezas, daquelas próprias de quem tem dez anos de idade e que ninguém deveria ser capaz de destruir. Que a mãe achou ninguém destruiria.
Aprendeu uma lição a mãe.
Igualmente desnecessária. Mas dessa falarei, talvez, daqui por largos tempos. Quando o nó na garganta deixar de me sufocar no simples acto de inspira .. expira.
Sobreviveremos.
Sobreviveremos.
14 comments:
Não há lições desnecessárias...! É que, se o fossem, não seriam lições, pois não? :)
É. Destas lições algo se há-de retirar, principalmente se ao lado se tem alguém que ajude a aparar os primeiros golpes de uma lição dorida...
Querida Once, a Princesa está preocupada e ansiosa porque a vê triste. E as lições destes momentos vão ficar. Mas talvez despidas de dramatismo. É o que invejo da infância: essa faculdade de esquecer rapidamente o que é mau ou de, apenas, o desvalorizar. :-)
Querida Once,
as "lições" são sempre muito importantes para o nosso crescimento, desde que os assuntos se falem, se enfrentem, e desde que não vivamos espartilhados por eles.
Que a mãe dela saiba "digerir" a "lição" e que seja o apoio seguro dela, é tudo quanto ela precisa.
E assim crescerá segura de si e dos outros, porque percebe que todos temos fragilidades, mas todos as sabemos superar, querendo...
Beijinho (estou a gostar tanto de a ler) :-)
há sim Luís .. por alguma razão protegemos os filhos por sabermos que ainda não estão preparados para enfrentar esta ou aquela realidade .. já o fizeste certamente.
Todos o fazemos. E a sensação que tenho agora é que não protegi a minha suficientemente ..
E temos Cristina .. temo-nos uma à outra .. as duas, como nunca deveria ter deixado de ser.
Bem sei Luísa .. e sei também que ela própria apanhou a sua grande desilusão que abalou o credo que tinha nos adultos.
Agora também tem razão no que diz no fim do seu comentário: ninguém como eles para nos ensinarem que as coisas têm a importância que lhes queremos atribuir. Nem mais, Nem menos ..
"os assuntos se falem e se enfrentem" .. você Querida Fugidia acertou no ponto fraco de todo este lodaçal para onde me atiraram.
Mas coberta de razão como sempre *
(Obrigada)
Querida Once,
sabe o que eu gostava mesmo?
De me encontrar consigo, com a sua princesa, e levar a minha mais velha: irmos comer um gelado, vê-las brincar, e conversar...
Quem sabe um dia não me manda um mail a dizer que sim?
:-)
Beijinho.
Não, conhecendo-te um pouquinho sei que a proteges (e não empreguei o termo no passado) tanto quanto te é possível!
Obviamente que há realidades das quais os devemos manter afastados. Mas, quando tal não é possível (e às vezes não é) há, pelo menos, uma lição que fica. Para eles... para nós...
Muito me honra esse convite Querida Fugidia .. e apanhou o meu ponto fraco agora: gelados, um olho na boa conversa, outro nas correrias das princesas :)
Luís .. conheces-me melhor que isso. O nível de exigência pelo qual me pauto não permite a ocorrência de situações como a que vivo. Nunca permitiu.
Minha linda, querida amiga!
Há lições que não queríamos que os nossos filhos apredessem. Concordo completamente. Lições desnecessárias.
Desnecessariamente cruéis
Desnecessariamente inúteis
Desnecessariamente dolorosas
E é verdade que o facto de certas "coisas" serem inevitáveis não deverá nunca provocar o nosso descuido ou baixar da guarda.
A única acção possível, efectuada apenas e, infelizmente, à posteriori, é amparar, quanto possível, reparar os danos, fechar para obras, seguir em frente.
Costumo dizer que há lições que não queria ter aprendido...
Que fazer?
Gostava eu de te escrever palavras verdes, transmitir verdes pensamentos... fico-me assim com um grande beijo para as dus princesas "mai" lindas da minha vida!
Querida Amiga gostavas? mas é precisamente o que tu fazes! :)
i'll be okay .. i guess
Beijo Meigo
A honra seria minha, querida Once.
:-)
fugidia :)
Querida Once,
não gosto da classificação de aprendizagem aposta a estes infortúnios, porque embora compreenda o sentido do fortalecimento, fico sempre com um pé atrás quanto a insensibilidades que possa gerar em espíritos em formação, quais calos morais.
Lembra-Se de, há tempos, eu dizer que era desconfiado? Pois também neste outro contexto essa auto-protecção a que recorro, se me evita certos transes, marca a inferioridade ao pé de Quem mais completamente se entregou.
E essa consciência não tem palavras que meçam ou pesem.
Beijinho
Lembro-me muito bem Caro Paulo a propósito de algo bem mais leve e inconsequente do que aquilo que me leva a lavar a alma por aqui .. e mais uma vez, tenho de lhe dar razão.
Desconfiada sim que a "lição" é dolorosa e injusta em demasia .. para ambas.
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