
Foi uma conversa agradável. E elucidativa. Estávamos na Bênção das Pastas da filha de uma grande Amiga que vai, no país que estamos, certamente engrossar as filas do desemprego, mas que naquele dia, radiosa e orgulhosa, trajada a rigor, nos presenteou com uma cerimónia comovente na Basílica da Estrela, seguida de um repasto simpático e intimo no Clube de Tiro de Monsanto. Família toda presente, alguns dos amigos mais chegados, partilhámos o momento alto da sua vida de estudante, e formulámos todos votos de boa sorte para o grande passo que a espera em seguida: conseguir um emprego, na área do ensino ao nível do primeiro ciclo.
Há alguns tempos que não via este meu amigo, amigo comum. Pai de dois jovens, dezasseis e treze anos, há muito tempo que os não via a eles. Habitantes da cidade do Porto, não é pela distância mas unicamente pelo rumo de vidas que às vezes não nos permite o convívio com quem nos é querido.
Há alguns tempos que não via este meu amigo, amigo comum. Pai de dois jovens, dezasseis e treze anos, há muito tempo que os não via a eles. Habitantes da cidade do Porto, não é pela distância mas unicamente pelo rumo de vidas que às vezes não nos permite o convívio com quem nos é querido.
Sentámo-nos a conversar sobre os filhos, obviamente. Sei-os aos dois bons estudantes, e até há uns tempos atrás brincávamos com o mais velho chamando-lhe “o menino dos 5”. Indaguei sobre percursos pretendidos, notas de final de ano, perspectivas de futuro. Aquele pai, cuja sabedoria aprecio, sabendo-a mais da experiência de vida do que do curso superior que seguiu e posteriores doutoramentos, enche um sorriso orgulhoso e brilham-lhe os olhos ao falar da prole. “Médico imagina, o mais velho quer Medicina” .. e continua: não estou certo que consiga. Tudo agora conta, todos os meios pontos são imprescindíveis. Há uma nota que destoa no conjunto. O Português. Dezoito valores. Rio-me eu. Vintes e dezanoves com fartura na pauta de um décimo primeiro ano concluído com sucesso. Aquela nota a destoar (um 18) preocupa o meu amigo. Minimizo a situação e levo imediatamente com uma lição de vida: se ele quisesse seguir-me os passos (arquitectura) não me preocupava. Podia dar-se ao luxo de escolher a universidade a ingressar. Mas medicina minha amiga tem a fasquia demasiado alta para ficarmos a “morrer na areia”.
Sou obrigada a concordar. E olhando o jovem que brinca com a criançada na relva do clube para irritação dos futuros atiradores aos pratos, não posso deixar de lhe referir que aquele garoto, metro e oitenta, melena despenteada e gargalhada fácil, que faz agora um avião com a minha princesa ao colo, não “morrerá certamente na areia” mesmo com “alguma deficiência” na aprendizagem da sua língua.
Sorri ele. Confio que não, refere, e sabes que mais? Já tinha saudades de conversar contigo. Como tens passado tu? “a morrer na areia” apeteceu-me responder-lhe.
Mas fiquei-me pelo pensamento de um peixe sem água e sem ar, grotesco, mudando rapidamente de assunto.
Sou obrigada a concordar. E olhando o jovem que brinca com a criançada na relva do clube para irritação dos futuros atiradores aos pratos, não posso deixar de lhe referir que aquele garoto, metro e oitenta, melena despenteada e gargalhada fácil, que faz agora um avião com a minha princesa ao colo, não “morrerá certamente na areia” mesmo com “alguma deficiência” na aprendizagem da sua língua.
Sorri ele. Confio que não, refere, e sabes que mais? Já tinha saudades de conversar contigo. Como tens passado tu? “a morrer na areia” apeteceu-me responder-lhe.
Mas fiquei-me pelo pensamento de um peixe sem água e sem ar, grotesco, mudando rapidamente de assunto.
4 comments:
Minha querida Once, enquanto mãe de uma criança que acaba de perfazer o 11.º ano e pretende ser arquitecta, agradeço-lhe a preciosa informação que aqui me deixa: «se ele quisesse seguir-me os passos (arquitectura) não me preocupava. Podia dar-se ao luxo de escolher a universidade a ingressar.» Que peso me tira da cabeça! :-)
Querida Once,
ainda bem que cortou a tempo a mentira tentadora. Não está morrer e, se acaso poisa numa qualquer areia, é para servir de Oásis aos Seus admiradores cansados do Deserto.
Huuuum, cheirou-me a uma prospecção de casamento da Princesa. Cuidado, a vida de Médico, com obrigações de banco...
Beijinho
Luísa .. toda a sorte é o que desejo à sua criança ;) .. e vou anotar mentalmente esta informação.
Quem sabe daqui a uns anos não fazemos negócio ;)
Beijinho *
Amigo Paulo sempre a interpretar de uma forma que apazigua ..
.. quanto à prospecção já tive o sonho do Oeste de facto, mas fiquei-me pelo sonho.
Grata
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