Quarta-feira, Julho 09, 2008


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinícius de Moraes



Faz hoje um mês que te foste
e eu ainda não sei o que fazer
com tudo o que, de repente,
"não mais que de repente,"
me devolveste.

9 comments:

Júlia Moura Lopes disse...

também já postei este, sentindo-o...:-(

abracejo

Once disse...

é Júlia .. não sei ainda como fazer. Mas quero acreditar que um dia .. saberei.

Outro para si *

Cristina Ribeiro disse...

Há-de saber mais cedo do que agora se acha capaz.
Beijinho

Luis disse...

Assim de repente... grande Vinícius!

O Réprobo disse...

O primeiro mês custa mais do que o segundo, este ainda é mais intenso do que o que segue e por aí fora.
O fundamental é endurecermo-nos suficientemente contra o Desgosto em Abstracto e contra a persistência de um em concreto, sem que nos tornemos duros para com o Próximo, infeligindo-lhe um desgosto em concreto, apesar de a sua identidade estar no domínio da abstracção.
Beijo, Querida Once

Once disse...

Cristina essa sua certeza consola-me .. :)


Luís .. Grande e tão vivido não é? Há pessoas assim, escrevem direitinho ao nosso coração, como se soubessem.


Querido Amigo .. isso é ser perfeito. Coisa que não sou.
Mas consola-me a abstracção que sei um dia vou conseguir .. mesmo dando-lhe um outro nome: o da indiferença.
Grata

fugidia disse...

:-)
Apetece-me desconversar como o Mike: está a falar do dia em que o seu querido diário se foi e me pregou um susto a julgar que nunca mais a lia?
Ah, mas ele voltou, e a sua bela escrita também...

Beijinho, querida Once :-)
(a vida é um milagre, para ser vivida dia-a-dia com um sorriso na alma e, pelo menos, uma gargalhada...)

Luísa disse...

Julgo saber que tem uma costela britânica, minha querida Amiga, mas o calor do sangue meridional fala mais alto. :-)
Tenho pouca experiência de emoções fortes, Once, porque, como o outro, sempre vivi menos do que me vi viver. Mas, pelo que posso testemunhar, é sempre uma experiência enriquecedora. De resto, com o tempo, já se sabe que só fica dela memória e conhecimento.

Once disse...

Fugidia .. um sorriso na alma e pelo menos uma gargalhada, e logo eu que que gosto tanto de rir ..
Beijinho


Querida Luisa .. foi o que fiz nos últimos anos .. viver menos do que me vi viver .. e hoje, sinceramente, acho que não deveria ter abandonado essa postura.
Obrigada Minha Amiga .. sempre sábia :)
Beijinho