
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinícius de Moraes
De repente, não mais que de repente
Vinícius de Moraes
Faz hoje um mês que te foste
e eu ainda não sei o que fazer
com tudo o que, de repente,
"não mais que de repente,"
me devolveste.
9 comments:
também já postei este, sentindo-o...:-(
abracejo
é Júlia .. não sei ainda como fazer. Mas quero acreditar que um dia .. saberei.
Outro para si *
Há-de saber mais cedo do que agora se acha capaz.
Beijinho
Assim de repente... grande Vinícius!
O primeiro mês custa mais do que o segundo, este ainda é mais intenso do que o que segue e por aí fora.
O fundamental é endurecermo-nos suficientemente contra o Desgosto em Abstracto e contra a persistência de um em concreto, sem que nos tornemos duros para com o Próximo, infeligindo-lhe um desgosto em concreto, apesar de a sua identidade estar no domínio da abstracção.
Beijo, Querida Once
Cristina essa sua certeza consola-me .. :)
Luís .. Grande e tão vivido não é? Há pessoas assim, escrevem direitinho ao nosso coração, como se soubessem.
Querido Amigo .. isso é ser perfeito. Coisa que não sou.
Mas consola-me a abstracção que sei um dia vou conseguir .. mesmo dando-lhe um outro nome: o da indiferença.
Grata
:-)
Apetece-me desconversar como o Mike: está a falar do dia em que o seu querido diário se foi e me pregou um susto a julgar que nunca mais a lia?
Ah, mas ele voltou, e a sua bela escrita também...
Beijinho, querida Once :-)
(a vida é um milagre, para ser vivida dia-a-dia com um sorriso na alma e, pelo menos, uma gargalhada...)
Julgo saber que tem uma costela britânica, minha querida Amiga, mas o calor do sangue meridional fala mais alto. :-)
Tenho pouca experiência de emoções fortes, Once, porque, como o outro, sempre vivi menos do que me vi viver. Mas, pelo que posso testemunhar, é sempre uma experiência enriquecedora. De resto, com o tempo, já se sabe que só fica dela memória e conhecimento.
Fugidia .. um sorriso na alma e pelo menos uma gargalhada, e logo eu que que gosto tanto de rir ..
Beijinho
Querida Luisa .. foi o que fiz nos últimos anos .. viver menos do que me vi viver .. e hoje, sinceramente, acho que não deveria ter abandonado essa postura.
Obrigada Minha Amiga .. sempre sábia :)
Beijinho
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