sexta-feira, julho 18, 2008

Decidi que não vou odiar.
Não vou manifestar a desconfiança que mergulha na água cálida do meu acreditar. Não vou mudar.
Deixar de ser quem sou, deixar de gostar de mim. Deixar que se vá o meu eu arrastado pelas lágrimas que ainda choro mas que não regam as sementes que jazem a meus pés. Sementes que semeei. Colheita que se perdeu. Nada a fazer. Malditos corvos de quem não achou necessário colocar espantalho.

Não vou dar ouvidos às mensagens desavisadas que me chegam. Mensagens que provêm de pessoas inesperadas. Mensagens inopinadas e despropositadas. Outras, piores, revestidas de um carácter do qual escorrem laivos da mentira. E eu lido mal com a mentira. Venha ela de onde vier, esconda o propósito mais honrado ou o mais vil.
Mentira é mentira. Não me interessa a sua hipotética justificação.

Não vou mais insistir na procura de resposta, a apologia, em coração que não sente como o meu.
Nem obrigar os olhos a olharem-me ao mesmo tempo que a boca fala. Não vou, de novo, implorar, pedir, rogar. Não vou mais mirar o pedaço de papel que tenho em meu poder, assinado a trouxe mouxe, como tudo o que nele vem escrito. Felizes os que acreditam que a letra manuscrita ou impressa tem a força de um olhar. De um sorriso, ou de uma lágrima.
Vou arquivar as conversas na caixa do esquecimento, os beijos e planos na caixa do nunca deveria ter existido. Mas calmamente. Com jeito. Só assim sei se manterão lá dentro por tempo suficiente para que os esqueça.
Vou fechar ambas as caixas, lacradas e seladas, na cómoda que um dia escolheria. Um ano inteiro, arrumado, junto daquela peça feita em cacos que não consigo reconstruir mas que também não tenho, ainda, vontade de deitar fora. Junto com bolas de naftalina.
Decidi que não vou odiar.
Porque tal como o Amor o Ódio é um sentimento que se tem por quem merece.
Por quem nos merece.
Tudo o mais é farinha em saco roto que serviu para alguém amassar uma existência sem nunca ter tido a mínima intenção de a viver.


E fica por aqui o meu Back from the Dust.
Dust no qual me enterrei num conforto quente e poeirento. No qual me isolei. Num self-pity desastroso que achei iria durar mais tempo. Esquecendo-me que me conheço bem. Esquecendo-me dos princípios que me pautam a existência. Esquecendo-me da honestidade com que vivo. Nunca poderia durar muito tempo, repreendo-me.

Das lições que já aprendi na vida que já vivi sei que estamos sempre preparadas e temos, por norma, uma força desconhecida para irmos um pouco mais além. Nem que seja meia dúzia de metros. Não foi desta que foi diferente, mesmo tendo sido a primeira vez em que me vi obrigada a lidar com algo que desconhecia. Directamente.

E fica por aqui o Dust por uma razão muito simples.
Serviu uma fase obscura da minha vida, tem dentro sentimentos menos bons, sentires ainda piores, lágrimas e raivas sem sentido. Hoje, sem sentido. Mesmo esforçando-me por continuar a escrever normalmente, ao reler a dúzia e meia de posts publicados sei que não o consegui. Estão todos impregnados de uma amargura que me é estranha. De um eu que não sou eu. De uma tristeza pela qual não pauto a minha vida. De um “querer voltar atrás” que definitivamente não pactua a minha maneira de viver. De estar.

As próximas duas semanas, últimas antes das merecidas férias, vão ser duras por aqui. Como todos os anos. Depois, o período de acalmia, ou com a casa cheia de outros cansaços, vai revigorar esta vossa diarista. Este ano, num autêntico golpe de sorte, e à última da hora, a oportunidade de irmos todos juntos para fora. A Aldeia da Fonte espera crescidos e crianças para uns justos dias de dolce fare niente .. ou tropo fare ;)
O Once in a While, meu querido e restaurado Diário, para seu júbilo, será um twice, three times a .. , a partir de Setembro. Deixei-"o" escolher o Nome .. ;) podia ter saído pior.

O Dust fica aqui. Orgulhosamente agarrado ao meu perfil. Não tenho do que me envergonhar e tendo, nunca seria boa opção fazer de conta que.
Fica à laia de intervalo. Intervalo que sei tive de viver, para poder agora seguir em frente. Na vida não vale saltar etapas como se de obstáculos em corrida de fundo se tratassem. E acima de tudo, não vale fazer de conta que não seja ao deitar, nas histórias que ainda se contam para as crianças adormecerem.

É tempo de seguir em frente sem lamentações. Sem tristezas. Sem amarguras. Serena e calmamente, mais crescida, mais prudente mas sem perder esperanças porque o futuro é já amanhã e nada do que eu faça vai alterar aquela linha desenhada.

E depois, principal dos principais ;) tenho nesta vida um exemplo a dar. A ensinar. A passar.
A alguém que, sangue do meu sangue, vai fazendo o seu próprio juízo do que a rodeia. Tirando as suas conclusões. Moldando a sua personalidade. No que de mim depende, o exemplo regra-se pela franqueza, honestidade e consideração com que vivo. Por quem me rodeia. Acima de tudo, por mim mesma.

Regressaremos a nós. À nossa vida. Como dantes.

Luísa, Cristina, Fugidia, Júlia, Paulo, Helder e Luís .. a Vossa presença foi valiosa. Não acredito que saibam o quanto. Pelo que Vos li nas linhas e entrelinhas. Pelas mensagens dentro das mensagens, pelos sorrisos, pelo estar. E saber estar.
Agradeço-Vos por isso e espero ver-Vos em breve.

Um beijo *


(PS_ Queridas M e Nocas .. podem sim respirar de alívio. Eu já respiro)